sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ETERNO

Toda vez que te vejo é como se fosse a primeira. O coração dispara, as mãos transpiram, as pernas tremem. Surge um turbilhão de sentimentos e recordações dentro de mim. Repasso nosso último dia mil vezes, com mil versões distintas do que eu poderia ter feito e não fiz. Mas já não crio expectativas, nenhum dia será melhor que aquele. Me contento em ver-te e ouvir-te. Minha sina. E, assim, provar do mais doce de seus venenos. Os dias em que não te vejo são vagos. Perco-me te procurando em qualquer esquina, pelas calçadas, por entre os carros. Penso ainda mais em ti. Luto, tento te afastar apenas para rechaçar o asco que sinto de mim mesma, por independente do tempo e de todos os acontecimentos, ainda gostar de ti com a mesma intensidade do primeiro dia. Sempre sobra alguma coisa, uma palavra, um gesto, um toque, um lapso de memória, uma jura qualquer. Real, confidencial, só nossa. Mesmo mínima, acendeu e apagou quase que ao mesmo tempo. Saber da sua reciprocidade mantém viva uma esperança que já quer descansar. Desejo que se encontre, ou que se perca em mim. Mas que venha comigo. Porque em mim se eternizou. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

SOZINHO


Estou andando na rua, descalça, debaixo de chuva. Você se foi sem avisar, bateu a porta, não escolheu o dia. Não pediu licença, nem desculpa, nem a chave do carro. Apenas foi. Deixou pra trás o seu casaco, aquele seu chinelo, suas luvas de boxe. Não levou seu travesseiro, nem as suas meias, deixou sua namorada. Repasso as ultimas semanas procurando por algum sinal, qualquer duvida, qualquer palavra atravessada no que me dizia. Escrevo cartas, mando emails, disco seu numero. Sua mãe não sabe me dizer, seu pai nunca fez questão, seus amigos eu desconheço. Não era um dia dificil, uma semana de brigas, ou um mês turbulento. Você acordou comigo e decidiu que não era mais ao meu lado que iria se deitar. Me beijou na boca e saiu sem olhar o meu rosto. Acariciou meus cabelos, mas não soube dizer adeus. Pra alguém que sempre andou a dois, é difícil seguir sozinho. Não cabe aceitação. Ou superação, determinação, esquecimento. A gente continua, mesmo quando não pode. E a gente aprende, até o impossível.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

(IN)CERTEZAS

A paixão acaba. Surge o amor que vai se perdendo por entre os dias. Sobra o carinho, o respeito, a consideração. Então você vai ficando. Não porque o sentimento ainda é latente, fica por comodidade, considera os anos de cumplicidade. Fica por não estar disposta a começar tudo outra vez e passar por todas aquelas fases até o relacionamento realmente amadurecer. Fica porque é mais fácil, mais seguro. Porque todos aqueles sentimentos que uma nova paixão causa são avassaladores demais. Abalam toda sua segurança. Por isso você continua. Pois a certeza de ser amado é confortável demais para arriscar tudo por uma nova paixão que não se sabe bem onde vai dar. Não sentir as mãos suando, o coração acelerado, a boca seca, as pernas tremerem, as palavras sumirem, a falta de ar e mais um punhado de sinais e sintomas dessa enfermidade é ter tudo sob controle. Covarde! Ta bom, eu sei, não tem como julgar. Todos buscam por estabilidade e segurança. Até eu. Mas como ter sem arriscar?... Sem perder o controle? Todos nós, pelo menos alguma vez, antes de qualquer equilíbrio, nos aventuramos nas incertezas de uma paixão. A vida é curta demais para não arriscar ser feliz. No fim, você lembrará de quem fez seu coração vibrar. De quem, independente das consequências, te fez feliz, mesmo que por breves minutos. 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

DEVANEIOS


Desgovernada, essa é a palavra que resume minha vida no atual momento. Há tempos perdi o controle. Vivo metendo os pés pelas mãos. Decisões equivocadas. Atitudes impensadas. Erros atrás de erros. Acertos esporádicos. Enganos. Uma realidade inventada. Forcei-me a viver aquilo, por não querer estar sozinha. Hoje, livre, vejo quanto tempo desperdicei. Quantas coisas vividas em vão. Na impulsividade fui infeliz. Um ano perdido com devaneios. Tentando apagar da memória um passado mais do que presente em mim. Eu sei que meus sentimentos estão guardados num relicário no fundo desse coração. Trancado. Calado. Amarrado. Vendado. Impossibilitado de qualquer manifestação. Vivendo outros amores. Tentando fugir. Mas não esqueça que tentar esquecer é lembrar e não viver.

domingo, 11 de novembro de 2012

SOMBRA


Sempre fui do seguro. Do intacto, do previsível, conciso. O abstrato me tira o equilíbrio. Pra alguém objetivo demais, o subjetivo assusta, é calamidade estatal. Sempre gostei de uma boa sombra, da tranquilidade que ela proporciona, da segurança que ela trás. A luz do sol me cega, brilhante demais, quente demais. Não é nada particular, preciso insistir. Você se toma de dores que não são tuas, muito pelo contrario. De toda essa minha solidez, quase nada é inabalável. “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, nunca foi preciso tanto. Eu te dou passagem se quiser, só não prometo caminhar com teus passos. Ninguém muda de um dia para o outro. Você ensina, mas eu preciso aprender. Uma pedra não impede o percurso da água, mas é preciso mais, pra fazê-la mudar a direção.