terça-feira, 10 de julho de 2012

ACABOU

E quando você sabe que o fim está próximo? O que fazer com todos os planos? Como lembrar toda a nossa história? Guardar os momentos bons e esquecer os ruins? Ou guardar tudo com o carinho de sempre? Não sei quem errou. Como tanto amor pode se perder por entre os dias? Eu vou dizer tchau. Espero que ainda sejamos amigos. Temos sintonia, afinidade, mas já nos falta o desejo.  Não me venha com esse papo de que quer mais uma chance. Perdi as contas das chances que já dei para o nosso amor. Não foi culpa sua, nem minha. Aconteceu. O amor acabou. E não sei se serei capaz de amar novamente. Esse iceberg já naufragou muitos navios. Amar requer esforços, trabalhoso demais. Tem suas recompensas, admito. Por hora é melhor assim. Vamos conhecer o mundo que nos privamos de conhecer, o mundo que deixamos passar enquanto estávamos vivendo o nosso. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

PARTIDA

Amanha de madrugada saio de viagem. Não sei quanto tempo vai levar, talvez um ano, duas semanas, alguns meses. Comprei passagem de ida, sem me preocupar com a volta. Pra quem gostava de planejar, hoje o único plano é seguir. Não me olha desse jeito, como quem não soubesse. Você nessa viagem foi meu agente turístico. Indicou os melhores pacotes, deu um desconto na passagem, e até um brinde promocional. Não se faça de desentendido, não é a hora. Dias se passaram nesse processo. Era eu quem sempre adiava, quem sabe amanha. Tentei fugir, mas foi inevitável. A porta já estava aberta pra mim, a mala feita. Não levo muita coisa, não tenho muita coisa. Fique com tudo, mas não se engane. É pouco. Nesse seu joguinho, parabéns, a vitoria foi sua. Eu já retirei meu time de campo, entreguei os dados. Não sou de lamentar, mas também não posso mentir. Às vezes é cansativo ser estrangeira. Eu tenho sede de lar. Quero poder chegar em casa e deitar no meu sofá, tomar um café. Eu não sou de dezembro, mas de janeiro, agosto e novembro. Nunca fui metade. Muito menos 30 dias. Não paguei a vista, pra viver por parcela.

terça-feira, 3 de julho de 2012

INSPIRAÇÃO


Quando descobre que sua inspiração é dor, sofrimento e solidão. Ter um amor e não conseguir escrever uma só linha não é nada bom. O que para muitos é fundamental, no meu caso só tem atrapalhado. Cada linha em branco eu concordo mais quando Vinicius diz que para fazer samba é preciso um bocado de tristeza. Para escrever seja lá o que for é preciso tristeza. O que seria de Clarisse, Vinicius, Tom, Pessoa, Drummond e tantos outros se não fosse um coração partido, um amor perdido, uma paixão inacabada? A felicidade também inspira, não posso negar. Mas nos ocupa, nos preenche, toma nossos dias, ficamos sem tempo para ser outra coisa que não seja feliz. Só sobra tempo para viver, nem pensar conseguimos mais. E tem coisa melhor que nos ocupar sendo felizes? E diferente do que Vinicius disse, um amor pode ser grande sem ser triste. São os amores felizes que cultivamos com grande carinho em nossos corações. Mas para viver um grande amor é preciso apostar, arriscar e não ter medo de perder. Os pessimistas não chegam nem a apostar e deixam de viver por puro medo. Os otimistas acabam acreditando demais e apostando além do que deviam. Os realistas não deixam de apostar, avaliam as possibilidades e arriscam. Não tem como saber se vai dar certo. Não podemos deixar de viver por medo de sofrer. O medo no amor é o pior dos sentimentos, te impede de sentir, de amar, de sonhar. Te deixa com os pés colados ao chão. E para amar é preciso voar, permitir-se levitar. Amar é estar a três metros do chão e não ter medo de cair. Pois qualquer queda vale a pena quando se ama.